7 de outubro de 1913, Fábrica de Highland Park em Detroit. Dentro de poucos minutos, Henry Ford revolucionará não só a indústria automóvel, mas o funcionamento do mundo inteiro. Não estou a brincar — neste dia, um mecânico autodidata de Michigan vai literalmente inventar o mundo moderno como o conhecemos. E quando digo revolucionar, quero dizer que, nessa manhã, foram precisas 12 horas e meia para montar um Ford Model T. Nessa noite? 93 minutos. Nada mau para um dia de trabalho, certo?
Hoje, vou contar-vos como um rapaz da quinta que desmontou os relógios dos vizinhos criou um sistema tão poderoso que inspirou "Tempos Modernos" de Charlie Chaplin, influenciou o próprio Estaline e mudou para sempre a relação entre patrões e trabalhadores.
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Para compreender a magnitude do que aconteceu naquele dia, preciso primeiro de falar do próprio Henry Ford. Nascido em 1863 numa quinta em Michigan, o pequeno Henry era já uma figura e tanto. Imagine um miúdo de 12 anos com os bolsos constantemente cheios de sucata e relógios a precisar de reparação. Os seus vizinhos traziam-lhe os relógios de bolso avariados, e o miúdo desmontava-os, montava-os de volta e deixava-os como novos.
A sua mãe chegou a apelidá-lo de "mecânico nato" e mexia em ferramentas para ele, utilizando agulhas de cerzir e suportes para o espartilho. Aos 15 anos, quando a maioria dos adolescentes da época ainda estava a aprender a tabuada, Henry já estava a construir a sua primeira máquina a vapor. E vejam só: abandonou a escola sem sequer saber ler ou escrever para se tornar aprendiz de mecânico em Detroit.
A obsessão de um visionário
Mas o que torna Henry Ford fascinante não é apenas o seu génio mecânico. É a sua capacidade de ver para além do seu nariz. Na década de 1890, quando os automóveis ainda eram brinquedos dos ricos, Ford já tinha compreendido que o futuro pertencia ao automóvel de massas.
O problema era que, na altura, construir um automóvel era pura habilidade artesanal. Cada operário tratava de várias etapas, ia buscar as suas peças, montava-as ao seu ritmo... Como resultado, demorava uma eternidade e custava os olhos da cara. Um carro normal era vendido por cerca de 2.000 dólares, enquanto um operário ganhava 500 dólares por ano. Basta dizer que era algo reservado à burguesia.
Ford, por outro lado, tinha uma ideia fixa: construir um automóvel tão simples e barato que qualquer trabalhador o pudesse comprar. E para isso, precisava de revolucionar a forma como a produção era feita.
A inspiração macabra dos matadouros
E é aqui que a coisa se torna interessante. Sabe de onde é que a Ford tirou a ideia da linha de montagem? Dos matadouros de Chicago! Não estou a brincar. Nas suas próprias memórias, admite ter-se inspirado naqueles frigoríficos onde "um porco entrava no matadouro e saía quinze minutos depois, transformado em presunto, salsicha, linguiça, tempero para carne e encadernação bíblica".
Estes matadouros já tinham inventado o trabalho em linha de montagem, com uma divisão de trabalho levada ao extremo. Cada trabalhador realizava apenas uma tarefa, sempre a mesma, a um ritmo frenético. Ford pensou: "Se funciona para cortar porcos, porque não para montar carros?"
Ok, admito que a analogia é um pouco assustadora, mas a ideia foi brilhante.






































































































































