8 de Abril de 2005, 14h30. Na fábrica de Longbridge, perto de Birmingham, 6.300 trabalhadores britânicos assistem à paragem final das suas máquinas. Acabam de saber que a MG Rover, a sua entidade patronal, foi oficialmente declarada falida. Com este encerramento, mais do que apenas uma empresa está a desaparecer — é todo um sector da indústria automóvel britânica que está a entrar em colapso. O último fabricante de veículos de uso geral do Reino Unido acaba de dar o último suspiro, levando consigo 128 anos de história automóvel.
Como é que a Rover, a prestigiada marca que conquistou o mundo com os seus Land Rover e dominou o segmento premium britânico, pôde ter caído tanto? Como é que os britânicos, pioneiros do sector automóvel que inventaram tantas inovações, perderam a sua indústria automóvel? Hoje, conto a história de uma queda vertiginosa, de erros estratégicos monumentais e do fim de um império automóvel.
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Origens gloriosas: quando a Rover dominava as estradas
Para compreendermos a dimensão desta catástrofe, precisamos primeiro de nos lembrar de onde surgiu a Rover. Em 1877, James Starley e Josiah Turner fundaram a empresa como fabricante de bicicletas. Este é o início de uma história que adoro — porque esta é uma época em que o automóvel ainda nem sequer existia, e mesmo assim estes tipos tiveram a intuição de que algo teria de acontecer.
Em 1904, lançaram-se na indústria automóvel com o Rover 8. E logo de início, fizeram uma escolha que definiria toda a sua identidade: o topo de gama. O Rover não era apenas para o homem comum, era para a elite britânica. E funcionou brilhantemente.
Mas o verdadeiro ponto de viragem, aquele que tornaria a Rover uma lenda, surgiu em 1929, quando Spencer Wilks assumiu o cargo de diretor-geral. O seu irmão Maurice juntou-se a ele no ano seguinte como engenheiro-chefe. Os irmãos Wilks eram um pouco como o Steve Jobs do automobilismo britânico — tinham uma visão perfeita do que deveria ser um Rover.
Maurice, acima de tudo, é um génio. Em 1948, criou o Land Rover. E aí, francamente, tiro o chapéu ao artista – pois tinha acabado de inventar um veículo que iria revolucionar o mundo dos 4x4. O Land Rover não é apenas um automóvel, é uma instituição. Este automóvel seria produzido ininterruptamente até 2016 sob o nome Defender. Quase 70 anos de carreira! Até 1978, foi mesmo o veículo mais vendido da marca.
A era dourada dos anos 50 e 60
Nas décadas de 1950 e 1960, a Rover era realmente o auge do refinamento britânico. Quando vejo passar um Rover dessa época, algo me toca — aquelas linhas, aquela elegância, aquela presença... Sente-se como se estivesse a lidar com uma marca que sabe o que faz.
Os Wilks conseguiram esse feito: manter a Rover no mercado de altíssimo nível, ao mesmo tempo que desenvolveram, com o Land Rover, um utilitário de sucesso em todo o mundo. De África à Austrália, o Land Rover tornou-se O veículo preferido de quem procura fiabilidade em terrenos difíceis.
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1967: O princípio do fim da British Leyland
E depois chegou 1967. O ano em que tudo mudou. A Rover foi comprada pela Leyland Motors, que formou o British Leyland Group no ano seguinte. E então, meus amigos, as coisas começaram a ficar difíceis.
A ideia no papel não era tola: reunir todos os fabricantes britânicos para fazer face à crescente concorrência internacional. Austin, Morris, Jaguar, Triumph, MG... Toda a nata da indústria automóvel britânica reunida sob uma única bandeira. Poderia ter sido magnífico.
Só que cada marca queria manter a sua identidade, os seus hábitos, as suas pequenas peculiaridades. Imagine uma reunião familiar em que todos querem fazer um pedido — foi exatamente o que aconteceu. A administração da British Leyland queria impor um segmento de mercado a todos, mas ninguém concordava sobre quem fazia o quê.
Gestão do caos em inglês
O que se seguiu foram 20 anos de caos total. E quando digo caos, é mesmo isso. Inveja, traição, desperdício... A British Leyland tornara-se um verdadeiro campo de batalha interno, com cada marca a lutar pela garganta da outra.
Greves? Constantes. Havia semanas inteiras em que a produção parava completamente. A produtividade era semelhante à dos kolkhozes da antiga União Soviética — e não sou eu que o digo, está nos relatórios oficiais da época! Quanto à qualidade... bem, digamos que rivalizava com as melhores produções da Europa de Leste. Escusado será dizer que não era ótima.
Rover, a prestigiada marca que era o sonho da elite mundial, viu-se afundada nesta sopa industrial onde ninguém sabia quem estava a fazer o quê. Era como misturar um bom vinho de Bordéus com vinho de mesa — o resultado era previsível.





































































































































