Sábado de manhã, final de 1963, no Campo de Provas de Milford da General Motors. Bill Collins, um engenheiro na casa dos 40 anos, vira-se para o colega de 39 anos e diz com um sorriso: "Sabes, John, demoraria uns 20 minutos a pôr ali um 389." Lá dentro, estava um pequeno e inofensivo Tempest estacionado à frente deles. John DeLorean, porque é dele que estamos a falar, olha para o carro, depois olha para Collins, e penso que naquele momento lhe ocorreu que esta ideia completamente louca poderia mudar o automóvel americano para sempre.
E sabe uma coisa? Ele tinha razão. Porque aqueles 20 minutos de trabalho deram origem ao Pontiac GTO de 1964, o primeiro verdadeiro muscle car da história. E com ele, começou uma década inteira de pura loucura, uma época em que os Estados Unidos conduziam literalmente máquinas nas suas estradas.
{diapositivos}
Mas antes de vos contar como os americanos inventaram o próprio conceito de desportivo acessível, preciso de explicar porque é que esta revolução era simplesmente impensável na época. Em 1963, a General Motors tinha uma regra de ouro absoluta: a proibição estrita de instalar motores grandes em automóveis pequenos. Uma regra feita de betão armado, inegociável.
Só que John DeLorean, esse génio da engenharia automóvel, não dava a mínima para as regras. Assim, quando Bill Collins lhe sugeriu a ideia de enxertar um motor de 389 polegadas cúbicas num Tempest, DeLorean não viu qualquer problema técnico . Viu uma oportunidade de ouro para contornar as proibições da sua própria empresa.
O Nascimento de um Mito: Quando a Rebelião Encontra o Génio
E aqui preciso de vos contar como o DeLorean o conseguiu, porque é pura genialidade administrativa. Em vez de apresentar a sua criação como um carro novo com um motor potente — o que era proibido —, vendeu-a como um simples "pacote de opcionais" para o Tempest já existente. Entendeu? No papel, era apenas um Tempest com alguns opcionais extra. Na realidade, era uma bomba sobre rodas.
O nome? GTO, como o Ferrari 250 GTO. Sim, DeLorean roubou literalmente o nome da Ferrari e, francamente, não estava errado. Porque o seu GTO iria revolucionar a indústria automóvel americana, tal como a Ferrari revolucionou o desporto automóvel.
Quando o primeiro GTO saiu da linha de montagem em 1964, ninguém na GM esperava a onda que se seguiria. Esperavam vender 5.000 unidades. Venderam mais de 32.000 no primeiro ano. Trinta e dois mil! Não foi apenas um sucesso, foi um fenómeno social.
O Efeito Dominó: Quando Toda a América Começa a Exibir-se
E foi aí que todos os outros fabricantes americanos pensaram: "Caramba, deixámos passar alguma coisa." Porque o GTO provou que havia um mercado enorme para carros velozes e acessíveis. Carros que os jovens americanos pudessem pagar, mas que tivessem a potência dos desportivos europeus.
A Ford, a Chrysler e até a Chevrolet — que fazia parte do mesmo grupo da Pontiac — entraram na corrida. E é aqui que a coisa se torna realmente interessante, porque estamos a assistir a uma guerra aberta entre fabricantes. Cada um queria ser mais potente, mais rápido, mais espetacular do que os outros.
A Ford lançou o Mustang em 1964, a Chevrolet respondeu com o Camaro em 1967 e a Chrysler contra-atacou com o Barracuda. E quando penso nesse período, penso que vivíamos numa era realmente louca. Imagine hoje se todos os fabricantes competissem entre si pela potência em carros que custam 15.000 euros. Isso simplesmente já não existe.
Navegue pela nossa seleção de mais de 1.500 modelos. Navegue pelas nossas diversas categorias: carros franceses, carros estrangeiros, carros desportivos e de corrida, veículos profissionais e por época.





































































































































